Ultrapasse as dívidas do crédito à habitação
O último relatório do Banco de Portugal (BdP) relativamente ao conhecimento dos portugueses quanto ao sector bancário revela dados preocupantes que colocam o país como um dos que possui os maiores níveis de iliteracia em toda a Europa. Mais ainda quando comparado com nações como a Suécia, Dinamarca ou Inglaterra, nas quais existe já uma enraizada cultura que instiga à preocupação sobre que destino a dar ao orçamento mensal e a melhor forma de ir aplicando o dinheiro para o fazer render.
De acordo com o estudo, mais de metade dos clientes (54%) admite que efectua a subscrição de um determinado produto ou serviço bancário porque este lhe foi indicado por um funcionário ao balcão do próprio banco, enquanto 25 por cento afirma que segue o conselho de um familiar ou amigo. Já oito por cento confirma que a primeira tarefa que realizam é comparar aquilo que o mercado tem para oferecer, mais três por cento (5%) do que aqueles que têm em atenção o que entidades especializadas recomendam. Há ainda quatro por cento que dizem escolher de acordo com o que vêm nos meios de comunicação, incluindo a Internet.
Uma das conclusões mais preocupantes do inquérito do BdP é a comprovação de que 40 por cento dos portugueses não vai além da primeira proposta recebida, não olhando sequer para as condições ou taxas de juro impostas. Por sua vez, dos 60 por cento que optam por comparar o que é oferecido, 31 por cento confirma que estuda as propostas de diversas entidades, enquanto os restantes 29 por cento declaram fazê-lo somente junto dos bancos com os quais já tem algum tipo de ligação.
A escolha do crédito é outra das acções que raramente é ponderada de forma séria pelos portugueses, tendo em conta que somente 27 por cento das pessoas seleccionam o credor de acordo com os argumentos financeiros, apenas mais um por cento (26%) do que aqueles que subscrevem este género de financiamentos no seu banco habitual. Mais grave ainda é o facto de 23 por cento admitir que a comodidade é o principal factor de escolha, os quais afirmam não avaliar as vantagens e desvantagens de uma pré-selecção cuidada ou sequer de uma rápida prospecção de mercado.
O inquérito realizado pelo BdP revela ainda que os clientes com preocupação em apreciar diferentes propostas decidem-se sobretudo pela prestação mais baixa (27%), com a variação das taxas de juro (13%) e Taxa Anual Efectiva Global (TAEG: 5%) a pesarem em substancialmente menos casos. A título de exemplo, no crédito à habitação 41 por cento dos clientes deliberou tendo em conta a mensalidade, 18 por cento segundo a taxa de juro e somente quatro por cento considerou a Taxa Anual Efectiva (TAE). Por sua vez, 28 por cento dos requerentes nem olhou para estes custos, tendo optado pelo financiamento próprio da sua entidade bancária corrente.
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