Particulares não conseguem pagar mais de 3.800 milhões e empresas mais de 5 mil milhões

O malparado está imparável. Entre empresas e particulares, os portugueses devem quase 9 mil milhões de euros aos bancos.

Dados do Boletim Estatístico do Banco de Portugal mostram que as famílias deviam 3.849 milhões à banca em Fevereiro que não conseguem pagar. O valor representa uma subida de 1,5% face a Janeiro mas traduz uma subida bem mais expressiva quando comparado com Fevereiro do ano passado: 21,7%.

Um aumento muito maior do que o registado no crédito concedido. Em Fevereiro, o dinheiro emprestado aos portugueses estava nos 138.622 milhões de euros, apenas mais 0,26% que no mês anterior e mais 4,56% que no homólogo.

Só no crédito à habitação, o malparado ascendeu a 1.097 milhões de euros, mais 0,3% que em Janeiro e mais 14,5% que em Fevereiro de 2009. Já o crédito à habitação concedido cresceu 0,2% num mês e 5,4% num ano para 110.536 milhões de euros.

No crédito ao consumo é mais visível o crescimento da cobrança duvidosa. Há 1.087 milhões de euros que os portugueses não conseguem pagar, mais 2,1% que no mês anterior e mais 26,2% que no mês homólogo.

Ainda assim, os bancos emprestaram aos portugueses 15.744 milhões de euros para financiar o consumo, mais 0,48% que em Janeiro e mais 1,9% que há um ano.

No crédito para outros fins, o valor concedido praticamente não cresceu em Fevereiro, nem face ao primeiro mês do ano (apenas 0,07%) nem face ao homólogo (0,6%), tendo ficado pelos 12.342 milhões de euros.

Já o malparado neste tipo de crédito cresceu 3,75% no mês em causa face a Janeiro e 34,37% face a Fevereiro do ano passado.

Malparado entre as empresas disparou 63% num ano

O malparado entre as empresas não pára de crescer. Já o crédito concedido pelos bancos às empresas em Portugal está estagnado.

Em Fevereiro deste ano, foram emprestados 117.723 milhões de euros, um valor que fica apenas 0,03% acima do concedido em Janeiro. Face a Fevereiro de 2009 o crescimento foi de apenas 1,2%.

O malparado, no entanto, não pára de crescer. Em Fevereiro ascendeu a 5.006 milhões de euros, mais 2,6% que em Janeiro. Mas as dificuldades crescentes das empresas portuguesas em pagar as suas dívidas são verdadeiramente visíveis na evolução homóloga do crédito de cobrança duvidosa: num ano disparou 63%.

572 mil desempregados em Março

O número de desempregados inscritos nos centros de emprego voltou a aumentar em Março, para 571.754 pessoas. O valor representa um aumento de 18,1% face ao final de Março do ano passado e uma subida de 1,9% face ao final do mês anterior.

A maioria dos desempregados (63,8%) está registada há menos de um ano, mas os restantes (36,2%) são desempregados de longa duração. Comparativamente ao mesmo mês do ano anterior, o aumento do desemprego foi de 10,6% na curta duração e de 34% na longa duração.

Entre os inscritos há mais pessoas desempregadas que estão à procura de um novo emprego (mais 18,4% que no homólogo) mas também mais pessoas à procura do primeiro emprego (mais 14,9%).

Só durante o mês de Março inscreveram-se nos Centros de Emprego do Continente e Regiões Autónomas, 64.381 trabalhadores desempregados, mais 17,1% que no mês anterior, mas menos 2,1% que em Março de 2009.

O «fim de trabalho não permanente», principal motivo de inscrição de desempregados, representou 36,3% das inscrições efectuadas ao longo deste mês e, na segunda posição, prossegue o motivo «despedido», com um peso de 16,4%.

Subida comum a todas as idades, regiões e habilitações

O crescimento é comum aos dois géneros, homens (mais 23%) e mulheres (mais 14,1%). Já numa análise por idades, o Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP) conclui que tanto os jovens como os adultos foram afectados (aumentos de 8,5 e 19,7%).

Não há habilitações escolares que valham aos portugueses. «Todos os níveis de habilitação escolar apresentaram mais desempregados do que há um ano», explica o IEFP. O aumento percentual mais elevado, de 26,2%, verificou-se entre os que têm ensino secundário.

Olhando para o mapa, o aumento anual do desemprego teve lugar em todas as regiões do País, destacando-se o Algarve (+35,8%) e a Região Autónoma da Madeira (+33,8%).
Face ao mês anterior, o desemprego aumentou em cinco das sete regiões do País, tendo sido excepções o Algarve (-1,3%) e a Região Autónoma do Açores (-5,9%).

Quanto às profissões dos desempregados, os «trabalhadores não qualificados dos serviços e comércio» são os mais numerosos (68.357), mas há também grande expressividade do «pessoal dos serviços de protecção e segurança» (65.708), dos «empregados de escritório» (56.137), dos «trabalhadores não qualificados das minas, construção civil e indústrias transformadoras» (51.926) e dos «operários e trabalhadores similares da indústria extractiva e construção civil» (47.704). Estes cinco grupos profissionais representavam, no seu conjunto, 52,6% do total de desempregados inscritos.

Face a Março de 2009, o desemprego aumentou em todos os grupos profissionais, com excepção dos «profissionais de nível intermédio do ensino».

Vagas: quantas são e em que áreas

O número de ofertas disponíveis, no final do mês, totalizou 19.288, mais 31,6% do que em Março do ano passado e mais 5,2% que em Fevereiro deste ano. Só durante o mês de Março, os centros receberam 10.743 ofertas de emprego (um aumento homólogo de 10,4% e outro mensal de 26,6%).

As ofertas dizem sobretudo respeito aos sectores das «actividades imobiliárias, administrativas e dos serviços de apoio», o «comércio por grosso e a retalho», o «alojamento, restauração e similares» e a «construção», responsáveis no seu conjunto por mais de metade das vagas.

No entanto, em Março, as colocações conseguidas ficaram-se pelas 5.627, mesmo assim, um crescimento homólogo de 16,6% e um aumento mensal de 25,1%. Mais de metade das colocações foram feitas nos sectores de «pessoal dos serviços, de protecção e segurança», «trabalhadores não qualificados das minas, construção civil e indústria transformadora», «trabalhadores não qualificados dos serviços e comércio» e «outros operários, artífices e trabalhadores similares».
Fonte: Agência Financeira