Um dos traços mais característicos de uma pessoa com problemas bancários é a instabilidade emocional que a domina. É certo que esta não afecta todos os endividados, mas uma grande parte destes cidadãos não consegue resistir à demasiada pressão que é colocada sobre eles e acaba por ceder face à coação permanente.

A falta de equilíbrio psicológico é uma grave consequência das dificuldades económicas, vulgares nos dias que correm, embora seja habitual em muitas outras situações. Porém, é no caso dos endividados que pode atingir proporções devastadoras e destruir a vida de uma pessoa ao ponto de a levar a realizar actos impensáveis no limite derradeiro da sua capacidade de resistência.

O fenómeno não é novo e tem crescido em flecha desde o início da crise que afectou os mercados e consequentemente as famílias das sociedades industrializadas. As taxas de malparado batem diariamente recordes históricos e há cada vez mais classe baixa e pessoas que deixaram de ter as suas fontes de rendimento, não tendo outra solução que não seja viver da caridade e solidariedade daqueles que a podem facultar.

Esta é uma realidade (mais do que) actual e também por isso um problema que urge resolver, porque é quando se começa a pensar em todas estas evidências quotidianas que os cidadãos a lutar diariamente com dificuldades atingem os seus picos de ansiedade, demasiadas vezes antecessores do colapso emocional que origina o desespero.

A espiral de possíveis acontecimentos descritos nos parágrafos anteriores não ocorre, felizmente, na totalidade dos casos, embora quando suceda acabe por ter um desfecho geralmente inevitável, a vulnerabilidade. Poder-se-ia pensar que este era de todos os males, o menor, mas é precisamente o contrário, uma vez que é em consequência daquela que surgem as tentativas irracionais de aceitar as mais absurdas e “milagrosas” soluções para resolver qualquer situação de dificuldades económicas.

É na procura de um desfecho positivo para o endividamento que acabam por surgir as vítimas dos esquemas de aproveitamento dos vigaristas de “colarinho branco” que utilizam os mais variados métodos para convencerem as pessoas a aceitarem propostas que são na realidade uma forma ignóbil de extorquir dinheiro a que se encontra vulnerável, explorando essa fragilidade para obter dinheiro fácil.

Se o leitor está neste momento a passar por dificuldades, se está endividado e parece não haver saída, não entre em desespero, porque esse é o maior erro. Contacte o seu banco ou credor e explique-lhes a sua situação, solicitando ajuda para que se encontre uma solução em que ambas as partes ganhem. Recorra a conhecidos, amigos ou familiares, peça auxílio junto da DECO ou instituições da sua zona de residência que lhe possam indicar o melhor caminho a seguir. E lembre-se: não há soluções fáceis ou milagrosas para acabar com o endividamento, mas planos para resolver as coisas a bem, sem que ninguém saia prejudicado. Não entre em pânico e mantenha a cabeça fria. Procure ajuda entre quem pode concedê-la.

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