Alguns anos atrás pedir um crédito em algumas financeiras era bastante fácil, aliás por vezes até nem era o cliente que procurava as financeiras, mas sim as financeiras é que procuravam os clientes.

Muitas pessoas receberam cartas por correios ou até telefonemas a oferecerem montantes de créditos. Basta saber que em 2006 os principais bancos telefónicos gastaram 100 milhões !!

Eu com isto não quero dizer que a culpa do endividamento em Portugal é das financeiras, não! Mas que existe uma grande percentagem de culpa da parte deles… claro que sim!

O culpa a meu ver não é só do cidadão endividado, mas sim também de quem concedeu os créditos sem avaliar a situação do cliente. Porque num País onde os ordenados são baixos e o custo de vida caro, quem entrou no mercado na altura certa com estes créditos fáceis teve uma grande ideia ( de lucros). É como um País que não tenha água e vá vender garrafas de água frescas. Todos vão comprar!

Agora quando o País deu o “Boom” tiraram o “cavalinho da chuva” e não se responsabilizam por nada. Claro que haveria de estoirar por algum lado, foi tudo bonito ao inicio mas quando começam a surgir imprevistos nas vidas das pessoas em que muda radicalmente os seus orçamentos, ai já não se ajuda ninguém.A solução de hoje dessas entidades é que agora são mais rigorosos na avaliação do perfil dos clientes…

Há uns anos atrás pedir crédito era tão simples como pegar num telefone, dizer quando se ganhava de ordenado e enviar um documento ou dois. Claro que isto está errado.

Não existiu supervisão no modo como se obteve créditos anteriormente, e claro que mais tarde veio as consequências tanto para o povo Português como para as próprias financeiras em crédito malparado.

Nos dias de hoje é muito mais difícil obter créditos nessas instituições, apesar de ainda muitas colocarem anúncios em que é só mandar o número de NIF por sms, ou preencher uma lead no website das mesmas.Mas a diferença é que após esse processo é pedido mais informação ao cliente, documentação e até a própria instituição investiga o scoring do cliente consultando a Crédinformações. Estes processos deviam ter sido implantados já a alguns anos e não quando a situação deu para o torto. Deveria existir mais bom senso por parte destas entidades, já nem digo criarem um produto onde se pode-se consolidar os créditos com problemas bancários, mas sim estarem abertos a renegociações por parte das pessoas que vão ao seu encontro para explicarem as dificuldades que estão a ter em pagar as prestações.

Existe um departamento de cobranças em cada financeira, mas antes desse departamento deveria existir um gabinete de apoio ao cliente onde fosse criada condições de atendimento e recursos humanos com formação para poderem atender e avaliar a situação de cada cliente que fosse para uma renegociação de créditos. E não uma pessoa chegar lá e ser atendido por um gestor de conta que nem está sequer disposto a ouvir ninguém, muito menos a fazer um check up financeiro para avaliar a veracidade dos factos que levou o cliente a ir ao seu encontro.

Não é de todo compreensível ( pelo menos da minha parte ) como é possível instituições que geram milhões de lucros anuais terem uma gestão medíocre como muitas têm. Não basta contratar pessoas para fazerem telefonemas com ameaças de penhoras e insultando os clientes. É sim preciso saber separar os que não podem mesmo pagar e os que tentam não pagar.E para isso nada melhor que um gabinete de apoio ao cliente ( ou como o quiserem chamar ) para poderem falar com o cliente, saber o que aconteceu para estar naquela situação e estudarem em conjunto uma solução. Isto sim é um bom trabalho!

E não pagar à comissão a umas dezenas de pessoas para tentarem por tudo cobrar as dividas a pessoas que nem sabem em que situação financeira e psicológica estão. Esses cobradores ao telefonarem não o fazem para estudar soluções, mas sim para ameaçarem com penhoras e muitas vezes até insultando as pessoas. Espanta-me em um País que tanto quer evoluir com TGV e Aeroportos por todo o lado ainda se viva na Idade da Pedra para outras questões. O Endividamento em Portugal é surdo e mudo. Já para não falar que devia ser ilegal esses cobradores ameaçarem com datas e horas certas penhoras quando primeiro para elas existirem têm de passar pelo tribunal. Para avançarem com datas e horas devem ter nos seus departamentos o Professor Bambo para lhes prever o futuro!

Ilegal? Parece que não, pelo menos em Portugal!

Foi criado recentemente uma lei em que os Call Centers não podem deixar em espera o cliente mais de 1 minuto.Mas ninguém se lembra de supervisionar o modus operandi desses departamentos de cobranças telefónicas e que tipo de pessoas são contratadas.

Para grandes males grandes remédios, mas onde está o remédio?

Tem de existir soluções, tanto estudo se faz em Portugal para isto e para aquilo, quando uma das principais causas de criminalidade,suicídio,pobreza, exclusão social etc… ( e muitos etc..) estão relacionados com endividamento de créditos. Mas parece que ninguém está disposto a acabar este mal que está para durar.

Ou vamos ter um Portugal Insolvente?